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Karl Popper’s Abstract Society

From Karl Popper’s “The Open Society and Its Enemies”. Are we abstract yet?

“As a consequence of its loss of organic character, an open society may become, by degrees, what I should like to term an ‘abstract society’. It may, to a considerable extent, lose the character of a concrete or real group of men, or of a system of such real groups. This point which has been rarely understood may be explained by way of an exaggeration. We could conceive of a society in which men practically never meet face to face — in which all business is conducted by individuals in isolation who communicate by typed letters or by telegrams, and who go about in closed motor-cars. (Artificial insemination would allow even propagation without a personal element.) Such a fictitious society might be called a ‘completely abstract or depersonalized society’. Now the interesting point is that our modern society resembles in many of its aspects such a completely abstract society. Although we do not always drive alone in closed motor cars (but meet face to face thousands of men walking past us in the street) the result is very nearly the same as if we did — we do not establish as a rule any personal relation with our fellow-pedestrians. Similarly, membership of a trade union may mean no more than the possession of a membership card and the payment of a contribution to an unknown secretary. There are many people living in a modern society who have no, or extremely few, intimate personal contacts, who live in anonymity and isolation, and consequently in unhappiness. For although society has become abstract, the biological make-up of man has not changed much; men have social needs which they cannot satisfy in an abstract society.”

It’s 2021, is it still an exaggeration?

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The very fact that I am writing this book may well, from the perspective of history, be at least in part traceable to the phenomenal energy, ability, and courage of Luther, Calvin, and other Reformers–figures who inspired and achieved the monumentally important task of bringing Scripture back into the centre of Christianity and its witness to the world. Their emphasis on the glory and sovereignty of God, and their insistence on constantly going back to the biblical text–taking great pains to explain it clearly and only accepting what was consistent with it–form a model to which many of us lesser mortals rightly aspire. Following that lead has been a great inspiration to many Christians today, myself included, who long for more solidity, more intellectual depth, more maturity in the expression of their Christian faith, more sense of God’s holiness and more concern for God’s reputation than is to be found in some of the frothy, insubstantial attempts to make the Christian faith more attractive to the outside world.

John Lennox – Determined to Believe?
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The why

the Bible is not the “why” of Christian faith; it is the “what.” The “why” of the Christian faith is the life, death, and resurrection of Jesus

No God but one – Nabeel Qureshi
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C.S.Lewis on Coronavirus

C. S. Lewis escreveu isto em 1948
Substituindo a palavras “atomic bomb” por coronavirus parece bastante actual.

In one way we think a great deal too much of the atomic bomb. “How are we to live in an atomic age?” I am tempted to reply: “Why, as you would have lived in the sixteenth century when the plague visited London almost every year, or as you would have lived in a Viking age when raiders from Scandinavia might land and cut your throat any night; or indeed, as you are already living in an age of cancer, an age of syphilis, an age of paralysis, an age of air raids, an age of railway accidents, an age of motor accidents.”

In other words, do not let us begin by exaggerating the novelty of our situation. Believe me, dear sir or madam, you and all whom you love were already sentenced to death before the atomic bomb was invented: and quite a high percentage of us were going to die in unpleasant ways. We had, indeed, one very great advantage over our ancestors—anesthetics; but we have that still. It is perfectly ridiculous to go about whimpering and drawing long faces because the scientists have added one more chance of painful and premature death to a world which already bristled with such chances and in which death itself was not a chance at all, but a certainty.

This is the first point to be made: and the first action to be taken is to pull ourselves together. If we are all going to be destroyed by an atomic bomb, let that bomb when it comes find us doing sensible and human things—praying, working, teaching, reading, listening to music, bathing the children, playing tennis, chatting to our friends over a pint and a game of darts—not huddled together like frightened sheep and thinking about bombs. They may break our bodies (a microbe can do that) but they need not dominate our minds.

What the atomic bomb has really done is to remind us forcibly of the sort of world we are living in and which, during the prosperous period before, we were beginning to forget. And this reminder is, so far as it goes, a good thing. We have been waked from a pretty dream, and now we can begin to talk about realities…

It is our business to live by our own law not by fears: to follow, in private or in public life, the law of love and temperance even when they seem to be suicidal, and not the law of competition and grab, even when they seem to be necessary to our own survival. For it is part of our spiritual law never to put survival first: not even the survival of our species. We must resolutely train ourselves to feel that the survival of Man on this Earth, much more of our own nation or culture or class, is not worth having unless it can be had by honorable and merciful means.

Nothing is more likely to destroy a species or a nation than a determination to survive at all costs. Those who care for something else more than civilization are the only people by whom civilization is at all likely to be preserved. Those who want Heaven most have served Earth best. Those who love man less than God do most for man….

Let the bomb find you doing well.

Present Concerns: Journalistic Essays by C.S. Lewis

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O inconseguimento

O meu medo, eu formulá-lo-ia de modo abstracto, é o do inconseguimento. O inconseguimento de eu estar num centro de decisão fundamental, a que possa corresponder uma espécie de nível social frustracional derivado da crise. Mas também tenho medo que a crise não permita até, eu diria, espaços de energia pra ser mais criativa. Há sempre esse medo. É também o do não conseguimento. E tenho medo dum não conseguimento ainda mais perverso: o da europa também se sentir pouco conseguida e de ela não projectar para o mundo o seu soft power sagrado, a sua mística dos direitos, a sua religião civil da dignidade humana. Tenho medo do egoísmo. Tenho medo do egoísmo que nos deixa de certo modo castrados em termos pessoais e que nos deixa castrados em termos colectivos. Que não permita aquilo que os franceses chama réussir, o conseguimento, o conseguimento pessoal e colectivo. Tenho medo do não conseguimento.

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O Capitão John (extraordinário homem!) tirou o traje, sacudiu-o, meteu o monóculo e os dentes postiços dentro do bolso das calças, dobrou tudo cuidadosamente, guardou tudo ao abrigo do orvalho debaixo do seu makintosh, alisou o cabelo, tomou um bochecho de água, e estirou-se de lado para dormir com correção e conforto. O barão e eu, depois de contemplar, rindo, estes requintes, embrulhamo-nos simplesmente num cobertor; e daí a pouco envolvia-nos aquele sono profundo, absoluto, sem sonhos, sem movimentos, que é a recompensa e a consolação de quem moureja por estas terras negras.

Excerto d’As Minas do Rei Salomão, tradução de Eça de Queiroz

O que andei para saber o que era um makintosh…

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I can relate…

Estamos todos habituados a considerar-nos como primordialmente realidades mentais, e aos outros como directamente realidades físicas, para efeitos nos olhos dos outros; vagamente consideramos os outros como realidades mentais, mas só no amor ou no conflito tomamos verdadeira consciência de que os outros têm sobretudo alma, como nós para nós.
Perco-me, por isso, às vezes, numa imaginação fútil de que espécie de gente serei para os que me vêem, como é a minha voz, que tipo de figura deixo escrita na memória involuntária dos outros, de que maneira os meus gestos, as minhas palavras, a minha vida aparente, se gravam nas retinas da interpretação alheia.

Fernando Pessoa n’O Livro do Desassossego
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Eu sou o meu avô!

Exmo Sr. Ministro da Defesa,

Venho deste modo explicar-lhe uma situação delicada que tem vindo a ocorrer, de maneira a poder obter um eventual apoio vindo de Vossa Exa;

Tenho 24 anos, e fui esta semana chamado para ir à tropa. Sou casado com uma viúva de 44 anos, mãe de uma jovem de 25 anos, da qual sou padrasto.

O meu pai por outro lado casou-se com essa jovem em questão.
Neste momento, o meu pai passou a ser o meu genro, uma vez que se casou com a minha filha. Deste modo, a minha filha, ou chamemos-lhe, enteada, passou a ser a
minha madrasta, uma vez que é casada com o meu pai.

A minha esposa e eu tivemos, no mês passado, um filho. Esse filho tomou-se o irmão da mulher do meu pai, portanto o cunhado do meu pai. O que faz com que seja o meu tio, uma vez que é o irmão da minha madrasta.
O meu filho é, portanto, o meu tio…

A mulher do meu pai teve no Natal um rapaz, que é ao mesmo tempo o meu irmão, uma vez que ele é filho do meu pai, mas o meu neto por ser o filho da minha enteada, filha da minha esposa. Desta maneira sou o irmão do meu neto! !…

E como o marido da mãe de uma pessoa é o pai da mesma, verifiquei que sou o pai da minha esposa, e o irmão do meu filho.

Resumindo: sou o meu avô!!!

Deste modo, Sr Ministro, peço-lhe que estude pacientemente o meu caso, porque a lei não permite que o pai, o filho, e o neto sejam chamados à tropa na mesma altura. Agradecendo antecipadamente a sua atenção, mando-lhe os meu melhores cumprimentos.

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Os Mestres

Desconfio dos mestres que o não podem ser primários. São para mim como aqueles poetas estranhos que são incapazes de escrever como os outros. Aceito que sejam estranhos; gostara, porém, que me provassem que o são por superioridade ao normal e não por impotência dele.Dizem que há grandes matemáticos que erram adições simples; mas aqui a comparação não é com errar, mas com desconhecer. Aceito que um grande matemático some dois e dois para dar cinco: é um acto de distracção, e a todos nós pode suceder. O que não aceito é que não saiba o que é somar, ou como se soma

Fernando Pessoa n’O Livro do Desassossego
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France is Bacon

When I was young my father said to me:

“Knowledge is Power….Francis Bacon”

I understood it as “Knowledge is power, France is Bacon”.

For more than a decade I wondered over the meaning of the second part and what was the surreal linkage between the two? If I said the quote to someone, “Knowledge is power, France is Bacon” they nodded knowingly. Or someone might say, “Knowledge is power” and I’d finish the quote “France is Bacon” and they wouldn’t look at me like I’d said something very odd but thoughtfully agree. I did ask a teacher what did “Knowledge is power, France is bacon” mean and got a full 10 minute explanation of the Knowledge is power bit but nothing on “France is bacon”. When I prompted further explanation by saying “France is Bacon?” in a questioning tone I just got a “yes”. at 12 I didn’t have the confidence to press it further. I just accepted it as something I’d never understand.

It wasn’t until years later I saw it written down that the penny dropped.


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you don’t know crap

An atheist was seated next to a little girl on an airplane and he turned to her and said, Do you want to talk? Flights go quicker if you strike up a conversation with your fellow passenger …

The little girl, who had just started to read her book, replied to the total stranger, What would you want to talk about? Oh, I don’t know, said the atheist. How about why there is no God, or no Heaven or Hell, or no life after death? as he smiled smugly. OK, she said. Those could be interesting topics but let me ask you a question first. A horse, a cow, and a deer all eat the same stuff – grass. Yet a deer excretes little pellets, while a cow turns out a flat patty, but a horse produces clumps. Why do you suppose that is?

The atheist, visibly surprised by the little girl’s intelligence, thinks about it and says, Hmmm, I have no idea. To which the little girl replied, Do you really feel qualified to discuss why there is no God, or no Heaven or Hell, or no life after death, when you don’t know crap?

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Fernando Pessoa…

Dois, três dias de semelhança de princípio de amor…

Tudo isto vale para o esteta pelas sensações que lhe causa. Avançar seria entrar no domínio onde começa o ciúme, o sofrimento, a excitação.

Nesta antecâmara da emoção há toda a suavidade do amor sem a sua profundeza – um gozo leve, portanto, aroma vago de desejos; se com isso se perde a grandeza que há na tragédia do amor, repare-se que, para o esteta, as tragédias são coisas interessantes de observar, mas incômodas de sofrer. O próprio cultivo da imaginação é prejudicado pelo da vida.

Reina quem não está entre os vulgares.

Afinal, isto bem me contentaria se eu conseguisse persuadir-me que esta teoria não é o que é, um complexo barulho que faço aos ouvidos da minha inteligência, quase para ela não perceber que, no fundo, não há senão a minha timidez, a minha incompetência para a vida.

Fernando Pessoa – O Livro do Desassossego

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Aquela rapaz

… compreender que a gramática é um instrumento, e não uma lei. 

Suponhamos que vejo diante de nós uma rapariga de modos masculinos. Um ente humano vulgar dirá dela, «Aquela rapariga parece um rapaz». Um outro ente humano vulgar, já mais próximo da consciência de que falar é dizer, dirá dela, «Aquela rapariga é um rapaz». Outro ainda, igualmente consciente dos deveres da expressão, mas mais animado do afecto pela concisão, que é a luxúria do pensamento, dirá dela, «Aquele rapaz». Eu direi, «Aquela rapaz», violando a mais elementar das regras da gramática, que manda que haja concordância de género, como de número, entre a voz substantiva e a adjectiva. E terei dito bem; terei falado em absoluto, fotograficamente, fora da chateza, da norma, e da quotidianidade. Não terei falado: terei dito. 

A gramática, definindo o uso, faz divisões legítimas e falsas. Divide, por exemplo, os verbos em transitivos e intransitivos; porém o homem de saber dizer tem muitas vezes que converter um verbo transitivo em intransitivo para fotografar o que sente, e não para, como o comum dos animais homens, o ver às escuras. Se quiser dizer que existo, direi «Sou». Se quiser dizer que existo como alma separada, direi «Sou eu». Mas se quiser dizer que existo como entidade que a si mesma se dirige e forma, que exerce junto de si mesma a função divina de se criar, como hei-de empregar o verbo «ser» senão convertendo-o subitamente em transitivo? E então, triunfalmente, antigramaticalmente supremo, direi, «Sou-me». Terei dito uma filosofia em duas palavras pequenas. Que preferível não é isto a não dizer nada em quarenta frases? Que mais se pode exigir da filosofia e da dicção? 

Fernando Pessoa – O Livro do Desassossego